segunda-feira, 18 de setembro de 2017


A reflexão que se impõe – O Novo paradigma

Benfica Futebol Renato Sanches
Renato Sanches agarrou bem a oportunidade
O momento atual do Benfica justifica uma paragem para refletir no que tem sido o caminho percorrido desde a conquista do Tetra Campeonato. No desporto em geral e no futebol em particular é muito ténue a linha que separa o sucesso do fracasso. Pela fragilidade dessa linha e pela existência de todo um conjunto de variáveis mais ou menos incontroláveis, torna-se arriscado, e por muitas vezes injusto, avaliar os resultados apenas como consequência das opções tomadas.
Tal não invalida, bem pelo contrário, que não devamos procurar analisar todas as opções tomadas e as suas consequências no atingir do objetivo proposto. Por isso numa série de artigos vou abordar um conjunto de áreas, tentando perceber as ideias por trás das decisões tomadas e procurando encontrar novos caminhos e soluções:

O Novo paradigma

A transição entre Jorge Jesus e Rui Vitória fica indelevelmente ligada ao termo “Novo Paradigma”. Uma expressão forte que que procurou minimizar os possíveis traumas da saída de um treinador com seis anos de casa e na altura um treinador vencedor, procurando colocar o foco num novo futuro em detrimento do passado.
O novo paradigma assentava na formação, no continuar a ganhar, mas com a prata da casa. Para isso escolheu-se um treinador com créditos firmados no lançamento de jovens ao qual se juntava o bónus de ter passado nos escalões de formação do clube. Para reforçar a ideia vêm à tona nomes como André Gomes, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro ou João Cancelo, tidos como jogadores “desperdiçados” desportivamente pelo anterior treinador. Esta aposta na formação seria em detrimento dos grandes investimentos em jogadores já feitos.

O alinhamento dos astros!

Benfica Futebol Raul Jimenez
Raul Jiménez exemplo de alto investimento
Certo é que no primeiro ano do novo paradigma o Benfica não deixou de contratar jogadores já feitos, como Carcela, Taarabt, Raul Jiménez ou Mitroglou. Após um início de época completamente traumático, os astros alinharam-se e por diversos motivos Ederson Moraes, Nélson Semedo, Victor Lindelof e Renato Sanches tornam-se peças chave no onze do Benfica que conquistaria o Tricampeonato. Também Gonçalo Guedes somou muitos minutos nessa época.
Na época seguinte Renato Sanches é transferido, Ederson, Nelson Semedo e Lindelof confirmam a sua importância no onze e Gonçalo Guedes torna-se também ele imprescindível, até ser transferido em janeiro. Também André Horta regressa à Luz e foi importante no primeiro terço da época, desaparecendo depois misteriosamente.
A contrastar com o “novo paradigma” verifica-se a aquisição de Rafa, valor recorde entre clubes portugueses, a aquisição definitiva de Mitroglou e a aquisição por números também elevados do resto do passe de Raul Jiménez. Somam-se ainda a contratação de Franco Cervi e Óscar Benítez entre outras menos dispendiosas. No final da época conquista-se o inédito Tetracampeonato.
A época atual pode-se considerar em teoria a única em que o novo paradigma foi de facto posto em prática. O maior investimento foi em Krovinovic por 3M de euros, que se juntou a uma série de contratações de baixo custo sem a perspetiva de rendimento desportivo imediato. O outro reforço para o grupo dos titulares é o Suíço Seferovic que chega a “custo zero”. Em termos de reforços o plantel completa-se com os empréstimos de Douglas e Gabriel Barbosa. Da formação a aposta recai em Bruno Varela, Rúben Dias, João Carvalho e Diogo Gonçalves. Pedro Pereira “recuperado” em janeiro não entra nas contas para o plantel principal.

Opção consciente ou manobra de diversão?

Muito sinceramente penso que o chavão “novo paradigma” não foi mais do que uma estratégia para amenizar o efeito da saída de Jorge Jesus. Os grandes investimentos não deixaram de ser efetuados, bem pelo contrário, bateram-se recordes com as transferências de Rafa e Raúl Jiménez.
Quanto às apostas na formação pareceram quase todas elas mais fruto de situações circunstanciais do que fruto de uma aposta planeada. Dito isto não retiro qualquer mérito ao treinador ao aos atletas em causa. Um teve a coragem de apostar neles e os outros tiveram o mérito de não desperdiçar essa aposta.
Benfica Futebol João Carvalho
João Carvalho espreita oportunidade
O real desinvestimento ocorrido esta época parece-me mais fruto de dificuldades económico-financeiras do que fruto de qualquer estratégia. Já as apostas na formação parecem-me de todo também precipitadas. Bruno Varela, Rúben Dias, João Carvalho e Diogo Gonçalves, assim como Pedro Pereira deviam estar neste momento a somar minutos em equipas da primeira liga, ponderando-se o seu regresso em janeiro, à imagem do que acontece com Pedro Rodrigues no Estoril.

O que eu penso?

Se me chateia que não se leve à letra o novo paradigma? Nada! A gestão desportiva depende do imediato, das circunstâncias. O longo prazo é uma treta.
Tens necessidade/oportunidade de contratar um jogador caro, daqueles que se tornam baratos? Há disponibilidade financeira, invista-se. Caros são as dezenas de “baratos” que nunca chegam a render desportivamente.
Há um puto novo que tem qualidade para pegar de estaca? Força, nem que tenha 16 anos.
Não podemos é deixar de investir só porque sim, nem forçar a integração de jovens da formação apenas pelo mesmo motivo.
Não me parece que após as vendas efetuadas o futuro do clube ficasse em risco se se tem investido em dois reforços a sério para as posições carenciadas. Eu quero é ganhar, o Benfica é o que é porque sempre ganhou.

#naomefodas mode on
  • Não me venham cá com tretas de “novo paradigma”, isso só serviu para mandar areia para os olhos dos adeptos.
  • É muito bonitinho ter as continhas todas em ordem e pagar os jurinhos todos na hora, mas essa mrd não vale de nada se não temos um crl de um central de jeito. Há que investir. Quando acabar  o graveto transformam-se as dívidas em VMOC´s por 100 anos, como os outros crls.
  • Quanto custava um central a sério? Quanto custará uma possível ausência da liga dos campeões? Fds, é fazer as contas, como dizia o outro.
#naomefodas mode off



Abraço


6 comentários:

  1. Excelente texto Bragatti. Deixo só umas questões... porquê tanta pressa em pagar as dividas? só agora é que se lembraram? E QUEM É QUE CRIOU ESTA DIVIDA? ONDE ANDA O MILAGRE FINANCEIRO?

    é aqui que não bate a bota com a perdigota porque durante anos a propaganda espalhou a ideia do milagre financeiro e da pujança das nossas finanças e agora temos que contrair as despesas? mas nos ultimos 2 anos rebentamos 22 milhoes + 16 milhoes por 2 jogadores de banco e nessa altura não sabiam das dificuldades? navegação à vista só pode

    ass: comedycentral

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    1. A criação da dívida eu entendo perfeitamente. Não há investimento sem criação de dívida.
      O património existente teve que gerar dívida.
      Já quanto à necessidade de criação de algum património tenho as minhas dúvidas. Dou como exemplo um possível estabelecimento de ensino no Seixal ou a necessidade de um alargamento tão grande do Campus como estão a fazer. Ou até, podendo ser polémico, a dimensão/luxo do Museu Cosme Damião.
      O timing do desinvestimento e liquidação de dívida, pelo menos de forma tão radical é que me parece desajustado.

      Abraço

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  2. Devias ligar mais vezes o nãomefodas, porque o problema está precisamente aí. Este modelo de gestão é insustentável. Já o disse noutro blog e repito-o aqui: o Benfica precisa, urgentemente, de reestruturar a dívida mas isso seria assumir a falência do "powered by Benfica", expressão que nos dias de hoje é de um ridículo sem fim...

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    1. Bem me apeteceu um post todo em naomefodas mode no sábado :)
      Não pode ser. Há pessoal que nem divulga o meu blog por causa do nome :((

      Abraço

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  3. Forçaaaaaaaaaaaaaaa Benficaaaaaaaaaaaaaaa

    Forçaaaaaaaaaaaaaaaaa Campeõesss

    Forçaaaaaaaa Benficaaaa

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    1. É isso mesmo!
      Pra cima deles, crl!!!

      Abraço

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