terça-feira, 14 de agosto de 2018


Fenerbahçe 1 - 1 Benfica - Nas asas do miúdo

Benfica Gedson Fernandes
Que este golo seja o primeiro de muitos
A continuação do sonho de participação na Liga dos Campeões 2018/19 passava por Istambul onde se disputava a segunda mão da terceira pré-eliminatória. Uma semana após a vitória por 1-0 frente ao Fenerbahçe no Estádio da Luz, esperava-se o carimbar da passagem ao playoff diante dos fervorosos adeptos turcos num estádio completamente lotado.
A entrada de Castillo para o lugar que fora ocupado por Ferreyra no jogo da primeira mão foi a única novidade apresentada por Rui Vitória. A boa entrada do chileno no último jogo, as características do próprio jogo e o facto de não ter jogado frente ao Vitória de Guimarães terão sido algumas das razões que sustentaram a opção do treinador.

Suplentes: Svilar, Conti, Alfa Semedo (72'), Samaris, Rafa, Zivkovic e Ferreyra (34').

Chegar ao golo tão desejado

O Benfica sabia o quão importante era quebrar o ímpeto inicial da equipa turca e como tal entrou no jogo procurando a posse de bola que lhe permitisse ter o controlo do jogo e impedir o empolgamento da equipa e adeptos adversários. Conseguiu-o nos primeiros minutos, mas rapidamente o Fenerbahçe equilibrou as forças e poderia mesmo ter chegado ao golo num cabeceamento após um pontapé de canto.
O jogo decorria num ritmo lento que interessava mais ao Benfica do que à equipa da casa que só a meio da primeira parte voltou a incomodar a baliza de Odysseas. Primeiro num lance em que o lateral direito aparece isolado nas costas da defensiva, mas infelizmente não tomou a melhor decisão, depois num remate junto ao poste esquerdo que Odysseas defende para canto. O Benfica não se encolheu e Gedson, após excelente assistência de Castillo, com muita frieza, faz o desejado golo fora que tanto se procura.
Benfica festejos
Festejar nas barbas dos turcos
Não se notou uma forte reação por parte do Fenerbahçe, mas mesmo assim um remate espontâneo à entrada da área permitiu a Odysseas brilhar com uma excelente defesa. No Benfica Castillo que estava a ser muito importante no apoio frontal aos seus colegas, lesionou-se e teve que ser substituído por Ferreyra. O jogo continuou de feição para o Benfica e Ferreyra atira à malha lateral de ângulo apertado após uma excelente diagonal. Quem não marca sofre e já em período de descontos os turcos chegam à igualdade num lance em que Grimaldo e Odysseas não ficam muito bem na fotografia.

Experiência e personalidade

Esperava-se um Fenerbahçe muito pressionante no regresso dos balneários após o golo marcado antes do descanso e tal aconteceu, mas o Benfica foi sempre sereno e rapidamente equilibrou o jogo. Os turcos nunca incomodaram verdadeiramente a defensiva encarnada e apesar de não jogarem no risco máximo iam abrindo espaço para o jogo de transições do Benfica.
Várias foram as vezes em que o Benfica apareceu em superioridade numérica no meio campo adversário. Primeiro Gedson decide mal no último passe ao tentar servir Pizzi quando a diagonal de Ferreyra proporcionou melhor linha de passe. Depois é Pizzi que se precipita no remate quando podia assistir e finalmente Ferreyra tinha tempo para fazer melhor num remate que sai por cima da área.
Benfica Franco Cervi
Muito bem a recuperar menos bem com bola
O treinador do Fenerbahçe arrisca nas substituições e é nessa fase que cria maiores dificuldades pela intensidade colocada no jogo. Perante este cenário Rui Vitória coloca Alfa Semedo perto de Fejsa deslocando Pizzi para a direita numa solução já muito vista em jogos de maior dificuldade. O Benfica estanca o jogo e mantém a bola sempre longe da sua baliza. Apenas nos descontos um livre perto da linha da grande-área causa algum desconforto.
Excelente resultado num cenário muito difícil com a equipa a dar uma resposta muito personalizada e a garantir que vai continuar a lutar pelo sonho da presença na fase de grupos desta Liga dos Campeões. Agora é foco total na deslocação ao Bessa.


Momento | Positivo | Negativo


O momento em que o Benfica nos escolhe
Golo de Gedson: Após o 1-0 da primeira mão, um golo fora é quase garante de qualificação pela descrença que provoca no adversário. Assim aconteceu e o Benfica soube jogar com esse fator. 
Prémio Pablo Aimar
Gedson Fernandes: Grande jogo do jovem Gedson num dos ambientes mais temidos da Europa. O golo foi apenas a cereja no topo de um bolo carregado de personalidade.
Prémio Bruno Cortez
Lesão de Castillo: Nunca é boa altura para as lesões aparecerem, mas num jogo desta importância e quando estava a fazer uma grande exibição, ainda mais se lamenta. Que não seja grave.


Aqui que ninguém nos ouve:
  • Jogão do miúdo! Não devemos cair na tentação das comparações, mas é impossível não falar da capacidade de galgar metros em condução a lembrar o Renato. Gedson acrescenta ainda uma excelente leitura de jogo. Pena que à imagem do Renato também já tenha 38 anos.
  • A forma como Castillo estava a segurar a bola entre os centrais e a sofrer falta em quase todos esses lances, foi importantíssimo para quebrar o ímpeto inicial dos turcos. Na primeira vez que não o travaram em falta fez logo a excelente assistência para o primeiro da partida.
  • Agora no Playoff seguem-se os gregos do PAOK. Manter o foco e não ir no canto da sereia de que o mais difícil está feito.
  • Aguardem que nos próximos dias terão oportunidade de ler no Curral de Notícias, na Revista Domingo, no Jornal Rascord e no Semanário Espesso que o Benfica comprou os jogadores do Fenerbahçe por 1755 euros a dividir por todos.

Abraço


4 comentários:

  1. Excelente análise, parabéns. Estou preocupado com a atitude da equipa em relação ao Ferreyra, não quero pensar que por birras e invejas se deixe de aproveitar o GRANDE jogador que o SLB contratou...

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    1. Eu estava preocupado com a possibilidade dele se portar como uma prima dona, mas tenho gostado da sua entrega e atitude. Tem movimentos que não enganam e a química com a equipa surgirá com naturalidade.

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  2. Espero que tenhas razão, mas o que vejo agora é que o Sálvio, o Pizzi e mesmo o Gedson, não passam a bola ao Ferreyra, mesmo quando ele está isolado. Há muito que não via nada assim no Benfica, faz-me lembrar o que o JVP fazia ao Donizete.

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    1. Do que te foste lembrar :)
      O Donizete foi apenas um entre vários.

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