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| Nico Gaitan é um exemplo perfeito do que se pretende |
Tal não invalida, bem pelo
contrário, que não devamos procurar analisar todas as opções tomadas e as suas
consequências no atingir do objetivo proposto. Por isso numa série de artigos
vou abordar um conjunto de áreas, tentando perceber as ideias por trás das
decisões tomadas e procurando encontrar novos caminhos e soluções:
A Prospeção
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| Nelson Semedo, do Sintrense ao Barcelona |
Num universo concorrencial como é
o futebol a prospeção adquire uma importância proporcional aos valores
praticados no mercado de transações. Como é do conhecimento geral os valores
estão completamente inflacionados fruto da entrada de novos investidores,
principalmente chineses e árabes, e dos valores estratosféricos que a venda dos
direitos televisivos da Premier League atingiu. Num cenário em alta como este,
mais importante se torna para um clube como o Benfica o chegar primeiro e cada
vez mais cedo aos novos valores emergentes.
O Benfica tem sido
particularmente ativo nesta área ao longo dos últimos anos ao apostar em jovens
promessas do futebol internacional. O radar tem incidido sob jogadores com
potencial, mas com valores de mercado ainda acessíveis à nossa realidade. A
aposta consiste na valorização do futebolista retirando rendimento desportivo
durante uma ou duas épocas, transferindo-os posteriormente para os mercados
mais endinheirados.
Aposta na quantidade para encontrar a qualidade
No primeiro grupo encontramos jogadores
como Di Maria, Gaitan, Ramires ou Franco Cervi; no segundo grupo temos os
exemplos de Pawel Dawidowicz, Victor Lindelof ou John Murillo.
No segundo grupo o maior problema
encontra-se na gestão da quantidade já que temos tido dezenas de jogadores cujo
investimento ronda um/dois milhões de euros, totalizando uma quantia
surpreendente quando se começa a fazer contas. Por entre essas dezenas vai
surgindo um ou outro caso de qualidade acima da média cuja valorização tem
permitido contrabalançar os outros investimentos falhados. Importa neste tipo
de investimentos apertar cada vez mais a malha na escolha dos jogadores.
Minimizar riscos em Investimentos mais avultados
No caso dos jogadores que
envolvem um investimento mais avultado os riscos são outros e relacionam-se
quase sempre com a capacidade de adaptação do atleta. Normalmente são jogadores
vindos do mercado sul-americano, aos quais se têm juntado ultimamente atletas
oriundos dos Balcãs.
Com estes jogadores é fundamental o trabalho da estrutura na sua adaptação. É importante dar tempo ao tempo para
que o atleta se integre e procurar mentalizar os adeptos para que sejam
pacientes de forma a não colocarem pressão extra em cima do jogador.
Nos últimos anos tem sido feito um
outro tipo de aposta: jogadores muito jovens que implicam um investimento já considerável,
mas não apresentam ainda capacidades para fazer parte das opções regulares do
treinador. Refiro-me a jogadores como Bryan Cristante, Luka Jovic ou Chris
Willock.
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| Chris Willock soma minutos na B. Um bom exemplo! |
O sucesso deste tipo de
contratações passa muito pela capacidade de colocar estes jogadores a jogar motivados
na equipa B, até que se abram as portas da equipa A. É preciso trabalhar muito
a mentalidade destes jogadores para que se “sujeitem” a jogar em estádios muito
mauzinhos, com meia dúzia de espectadores, fazendo-lhes ver que só assim
chegarão ao topo.
Contratações para o “onze”
Quanto à prospeção de jogadores
para fazer parte do núcleo duro do plantel, dos potenciais titulares, a
avaliação dos alvos contratados é muito díspar. Há situações para todos os
gostos no lote de jogadores contratados nas últimas três épocas: Carcela, Carrillo,
Celis, Cervi, Douglas, Filipe Augusto, Gabriel Barbosa, Krovinovic, Mitroglou,
Rafa, Raúl Jiménez, Seferovic e Taarabt.
Descontando os contratados para
esta época que ainda é precoce avaliar; encontramos casos de sucesso, flops e
outros que sem serem indiscutíveis foram revelando a sua utilidade. Do meu
ponto de vista neste tipo de contratações o mínimo que se exige é que pelo menos
metade sejam titulares indiscutíveis. A percentagem anda muito longe disso pelo
que importa ser muito mais assertivo neste tipo de contratações.
O que eu penso?
Considero que no global a prospeção
do Benfica em termos de apostas de médio/longo prazo tem estado num nível bastante
aceitável. Há sempre margem para melhorar; um critério cada vez mais apertado
na seleção, um trabalho de integração e adaptação cada vez mais individualizado
e paciente, e uma gestão das expectativas do jogador clara e realista,
parece-me ser a fórmula de sucesso. Este último ponto será aquele onde
há ainda muita margem para melhorar.
Quanto à contratação de jogadores
para o imediato, para acrescentar qualidade ao “onze” há mesmo muito por onde
melhorar. Mais vale contratar um ou dois verdadeiros reforços por ano do que
quatro ou cinco que pouco acrescentem.
Se as contratações a médio/longo
prazo forem acertadas, somadas aos jogadores de qualidade que estão para surgir
da formação ainda mais se justifica que as contratações para o “onze” sejam cirúrgicas
e pontuais.
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| Óscar Cardozo à chegada ao Benfica |
#naomefodas mode on
- Fds, saudades de ver chegar ao aeroporto um gajo que se possa dizer: “é este e mais dez”. Tipo o Deus Aimar, ou o Óscar Cardozo à patrão de óculos de sol.
- Não me venham com as conversas “…muito entulho, os Veras e tal…”. Eu vi muitos jogos do Lindelof nos juniores e na B e para mim não passava de um Vera. Para teres um Lindelof vais ter sempre dez Veras. Se puderes ter só sete ou oito Veras, ótimo.
- O Semedo e o Manuel Liz foram contratados ao Sintrense em 2012. Fds, mais entulho! São primos de quem? Um está no Barça, o outro…
- Taarabt? Saiu caro, mas vai ser o homem do hexa, crl! Leram aqui primeiro.
- Óbvio que nem me referi às “oportunidades de negócio” ou contratações “pró carrossel” isso não tem nada que ver com Prospeção. Nem devia ter nada que ver com o Benfica.
#naomefodas mode off
Abraço




No geral concordo com a análise mas estaremos todos de acordo que a "malha" poderia ser bem mais apertada.
ResponderEliminarVê o que aconteceu este ano com as laterais, simplesmente...assustador!
Sai o Nelsinho (mais do que esperado) e gasta-se um pipa de massa (Djuricic mais 2M) com Pedro Pereira, que nunca será jogador para o Benfica. Depois, ainda se tentou Buta para se acabar por contratar Milos (logo de seguida emprestado) e se ficar (por empréstimo) com Douglas, uma incógnita...
Uma pergunta de quem apenas deu uns pontapés na bola nos distritais: E Bruno Gaspar?! Não teria sido mais avisado terem logo recomprado o seu passe?!
Desportivamente, claro que sim (embora não o considere um jogador de topo) mas trocou-se o certo pelo incerto e ainda se pagou muito por isso.
Do lado contrário o panorama é idêntico: Que raio de prospecção é esta que vai buscar um Hermes (com um "custo zero" de cerca de 2M) quando se tinha Rebocho, Yuri Ribeiro e...Marçal. Sim, Marçal, que à semelhança de Gaspar saiu por um punhado de euros. Ficou Eliseu, que oferece pouco ao presente e nada ao futuro, e claro, ficou (não se sabe bem onde) Hermes.
Isto para dizer que no Benfica impera um perigoso fervor economicista, que esmaga a vertente desportiva. Impõe-se um maior equilíbrio.
Abraço.
Certamente que a malha terá de ser mais apertada. Principalmente quando os valores já são mais consideráveis, tipo o Hermes ou Pedro Pereira.
EliminarAbordarei a composição do plantel mais à frente, mas só posso concordar contigo quanto à trapalhada na lateral direita.
Abraço