sexta-feira, 22 de setembro de 2017


A reflexão que se impõe – O Plantel

Benfica Futebol Plantel 2017/18
Um plantel que soma vários títulos
O momento atual do Benfica justifica uma paragem para refletir no que tem sido o caminho percorrido desde a conquista do Tetra Campeonato. No desporto em geral e no futebol em particular é muito ténue a linha que separa o sucesso do fracasso. Pela fragilidade dessa linha e pela existência de todo um conjunto de variáveis mais ou menos incontroláveis, torna-se arriscado, e por muitas vezes injusto, avaliar os resultados apenas como consequência das opções tomadas.
Tal não invalida, bem pelo contrário, que não devamos procurar analisar todas as opções tomadas e as suas consequências no atingir do objetivo proposto. Por isso numa série de artigos vou abordar um conjunto de áreas, tentando perceber as ideias por trás das decisões tomadas e procurando encontrar novos caminhos e soluções:

O Plantel

Não se pode afirmar que o plantel que conquistou o Tetracampeonato tenha sofrido uma grande razia. O grande problema foi que as principais saídas se concentraram no setor defensivo da equipa, mais concretamente 3/5 do sector defensivo titular. Falamos de Ederson, Nélson Semedo e Victor Lindelof. A estes nomes juntam-se os pouco utilizados André Horta e André Carrillo e o muito influente Mitroglou.
Em termos de entradas destaque para o suíço Haris Seferovic, aproveitando o fim de contrato com o Eintracht de Frankfurt e para Krovinovic contratado ao Rio Ave. Já em cima do fecho de mercado chegam Douglas e Gabriel Barbosa por empréstimo do Barcelona e Inter de Milão, respetivamente.
Numa perspetiva de futuro são contratados Mile Svilar, Martin Chrien, Chris Willock e Mato Milos. Este último acabou emprestado ao Lechia Gdansk. Também numa perspetiva de futuro é recontratado Bruno Varela, que acaba por ser o titular neste início de temporada fruto da lesão de Júlio César. Da formação do clube chegam Rúben Dias, João Carvalho e Diogo Gonçalves.
O plantel final é composto por trinta jogadores:
Guarda-redes (4): Júlio César, Bruno Varela, Svilar e Paulo Lopes.
Laterais (4): André Almeida, Douglas, Grimaldo e Eliseu.
Centrais (5): Luisão, Jardel, Lisandro Lopez, Rúben Dias e Kalaica.
Médios (6): Fejsa, Samaris, Filipe Augusto, Pizzi, Chrien e Krovinovic.
Alas (6): Salvio, Zivkovic, Cervi, Rafa, João Carvalho e Willock.
Avançados (5): Jonas, Seferovic, Gabriel Barbosa, Raul e Diogo Gonçalves.

Análise sector a sector

Benfica Futebol Seferovic
Seferovic tem-se mostrado reforço
O sucesso do caminho para o Penta dependerá muito do número de lesões ao longo da época e nesse aspeto os indícios continuam a ser pouco tranquilizantes. Começa pela baliza onde era importante que Júlio César jogasse com regularidade enquanto Bruno Varela e Svilar se vão ambientando às exigências de uma equipa como o Benfica.
Nos centrais é fundamental a boa forma física de Luisão e Jardel já que as alternativas não são do mesmo nível. Lisandro continua a apresentar muita intranquilidade e precipitação quando chamado. Rúben Dias começa a ter tempo de jogo. Esperemos seja uma boa surpresa e se torne uma verdadeira alternativa para a titularidade. Kalaica deverá somar minutos na equipa B.
Nas laterais mais uma vez muito dependentes do físico de um jogador, neste caso Grimaldo. É o único capaz de criar desequilíbrios ofensivos. Esperemos que Douglas apresente atributos semelhantes. André Almeida e Eliseu vão dando conta do recado, mas por um motivo ou outro não são suficientes para serem titulares toda a época.
No centro do terreno aplica-se a Fejsa o que se escreveu sobre Grimaldo, espera-se que tenha muita saúde já que as alternativas estão muito distantes. Caso Pizzi apresente a mesma regularidade da época passada é meio caminho andado para o sucesso. Krovinovic pode ser uma boa alternativa, veremos como se adapta a um clube enorme.
Nas alas existem soluções em quantidade e qualidade. Esperemos apenas uma boa gestão por parte do treinador deste leque de excelentes executantes.
A frente de ataque é excelente sendo várias as alternativas ao dispor do treinador. Espera-se que Jonas e Severofic confirmem o bom início de época. Raul parece pronto a explodir para uma grande época. Se Gabriel Barbosa se reencontrar na Luz pode também ser um reforço inesperado.

O que eu penso?

A lógica do planeamento do plantel para esta temporada é algo que, por muito que tente, não consigo perceber. Incompreensível tendo em conta que as principais saídas se deram perfeitamente a tempo de serem devidamente colmatadas. Poderia aceitar este cenário se Ederson, Nélson Semedo e Victor Lindelof tivessem saído a 31 de agosto.
Destaco:
  • A rábula da contratação do guarda-redes sendo o expoente máximo as imagens de André Moreira no Hospital da Luz.
  • A constatação apenas ao fim de seis meses que Pedro Pereira e Hermes não eram opções válidas para as laterais.
  • Os avanços e recuos na contratação de Douglas para a lateral direita.
  • A não contratação de um defesa central de topo, dada a saída de Lindelof, o avanço da idade de Luisão e o passado recente de Jardel em relação às lesões.
Benfica Futebol André Moreira
André Moreira simboliza o desnorte
Um plantel com trinta elementos existindo ainda a equipa B para recorrer em situações de necessidade é manifestamente exagerado. Vamos ter muitos jogadores com poucos minutos de jogo. Se um plantel extenso é “gerível” quando se está a ganhar, nos momentos em que as coisas correm menos bem pode-se tornar um barril de pólvora. Esperemos que Rui Vitória tenha essa capacidade.
Entendo que jogadores como Rúben Dias, Kalaica, Chrien, João Carvalho, Diogo Gonçalves e Willock devem somar minutos na equipa B. Caso não os tenham na equipa principal, claro. É importante que apresentem mentalidade para o fazerem já que estão numa fase da carreira em que precisam de jogar. O mesmo se aplica a um dos dois guarda-redes mais jovens.

#naomefodas mode on
  • Após as imagens equipado à Benfica no hospital da Luz, André Moreira estreou-se finalmente na verdadeira Luz, o Estádio. Ainda por cima o caramelo tira o golo da vitória a Jonas nos descontos.
  • Quanto custava um central de topo? Quanto custará uma possível ausência da liga dos campeões (vade retro)? Fds, é fazer as contas, como dizia o outro.
  • Toca lá a tratar bem do físico dos meninos, crl. Seja na preparação física, seja na recuperação. Já mete nojo aos cães tanta mrd de tanta lesão.
  • E vós também, meus meninos. Há que fazer o chamado trabalho invisível, já cheira a esturro tanta fragilidade.
#naomefodas mode off

Abraço

7 comentários:

  1. "Outubro de 1991. Acontecia a "tempestade perfeita", uma combinação de fatores tão rara que acontece apenas uma vez por século. Com ondas do tamanho de prédios de dez andares e ventos a quase 200 km/h, poucas pessoas a viram e sobreviveram para contar história. Até que os tripulantes do Andrea Gail, um barco de pesca comercial, se viu bem no centro deste gigantesco inferno em alto-mar".
    A sinopse é do filme "A tempestade perfeita" mas poderia facilmente ser aplicada ao início de época do Benfica.
    Somos o Andrea Gail, porque houve um capitão do navio que, mesmo conhecedor da tempestade que se adivinhava, seguiu na sua direcção.
    Não perdemos, "apenas", 4 titulares. A estas saídas - só por si relevantes - têm que se somar os elevados índices de "suspeição lesional" de outros 5 titulares: J César, Grimaldo, Jardel, Fedja e Salvio. A estes, têm que se somar ainda o elevado índice "etário" de outros dois titulares (Luisão e Jonas), bem como do semi-titular Eliseu.
    Se o Almeidinhos se lesionar é azar do futebol. Se J César, Grimaldo, Jardel, Fedja e Salvio se lesionarem (e já todos se lesionaram)é azar de termos alguém que "confiou" que tal não pudesse suceder.
    Convenhamos: vendeu-se metade da equipa titular e a outra metade está (quase) sempre lesionada. Ainda assim. o Andrea Gail não só se fez ao mar como se dirigiu para o meio de uma tempestade...
    "Ah, e tal, mas sobreviveram à tempestade!" Pois, é o nosso grande desígnio esta época, não viver mas sobreviver.
    Abraço

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    1. Excelente.
      Por isso refiro que este ano o sucesso estará sempre dependente das lesões.
      O Capitão também nunca escondeu que se fosse fácil não era para ele ;)

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  2. O Captain! My Captain!
    "(...)
    Here Captain! dear father!
    This arm beneath your head!
    It is some dream that on the deck,
    You’ve fallen cold and dead. (...)"

    Não é fácil ser-se Capitão, muito menos no nosso porta-aviões...
    Abraço e continuação de bons "posts".

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    1. Fizeste-me recordar um dos filmes da minha vida e um actor ímpar que infelizmente partiu muito cedo.
      Sem dúvida que não é fácil. E muito lhe agradeço as duas últimas épocas em que levou o barco a bom porto nas condições de navegação mais difíceis de que me lembro. E tenho esperança que o faça novamente esta época.
      A grande questão é que enquanto o Capitão do Andrea Gail teve que se meter no meio da tempestade porque tinha que pôr pão na mesa de muitas famílias, nós pelo que se pode ler, fazemo-lo por opção.
      Responsabilidade do Capitão? Claro que não, mas se calhar podia ser um bocadinho mais impositivo na composição do plantel.

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  3. Quem é o Fedja?

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    1. É o "Liubomire" :-)
      Fejsa, of course, my bad!

      BragattiSLB, há, pelo menos, outro gajo a ler o teu blog!

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    2. LOL!!!
      Olha que não.
      Sou só e o Anónimo.
      Que se calhar também sou eu :)

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