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| Renato Sanches agarrou bem a oportunidade |
O momento atual do Benfica justifica
uma paragem para refletir no que tem sido o caminho percorrido desde a
conquista do Tetra Campeonato. No desporto em geral e no futebol em particular
é muito ténue a linha que separa o sucesso do fracasso. Pela fragilidade dessa
linha e pela existência de todo um conjunto de variáveis mais ou menos
incontroláveis, torna-se arriscado, e por muitas vezes injusto, avaliar os
resultados apenas como consequência das opções tomadas.
Tal não invalida, bem pelo
contrário, que não devamos procurar analisar todas as opções tomadas e as suas
consequências no atingir do objetivo proposto. Por isso numa série de artigos
vou abordar um conjunto de áreas, tentando perceber as ideias por trás das
decisões tomadas e procurando encontrar novos caminhos e soluções:
- O Novo paradigma
- A Prospeção
- A Formação
- O Plantel
- A Equipa técnica
- A Santa aliança
- A Comunicação
- Os Sócios/adeptos
O Novo paradigma
A transição entre Jorge Jesus e
Rui Vitória fica indelevelmente ligada ao termo “Novo Paradigma”. Uma expressão
forte que que procurou minimizar os possíveis traumas da saída de um treinador
com seis anos de casa e na altura um treinador vencedor, procurando colocar o
foco num novo futuro em detrimento do passado.
O novo paradigma assentava na formação,
no continuar a ganhar, mas com a prata da casa. Para isso escolheu-se um treinador
com créditos firmados no lançamento de jovens ao qual se juntava o bónus de ter
passado nos escalões de formação do clube. Para reforçar a ideia vêm à tona nomes
como André Gomes, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro ou João Cancelo, tidos como
jogadores “desperdiçados” desportivamente pelo anterior treinador. Esta aposta
na formação seria em detrimento dos grandes investimentos em jogadores já feitos.
O alinhamento dos astros!
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| Raul Jiménez exemplo de alto investimento |
Certo é que no primeiro ano do
novo paradigma o Benfica não deixou de contratar jogadores já feitos, como Carcela,
Taarabt, Raul Jiménez ou Mitroglou. Após um início de época completamente
traumático, os astros alinharam-se e por diversos motivos Ederson Moraes,
Nélson Semedo, Victor Lindelof e Renato Sanches tornam-se peças chave no onze
do Benfica que conquistaria o Tricampeonato. Também Gonçalo Guedes somou muitos
minutos nessa época.
Na época seguinte Renato Sanches
é transferido, Ederson, Nelson Semedo e Lindelof confirmam a sua importância no
onze e Gonçalo Guedes torna-se também ele imprescindível, até ser transferido em
janeiro. Também André Horta regressa à Luz e foi importante no primeiro terço
da época, desaparecendo depois misteriosamente.
A contrastar com o “novo
paradigma” verifica-se a aquisição de Rafa, valor recorde entre clubes
portugueses, a aquisição definitiva de Mitroglou e a aquisição por números
também elevados do resto do passe de Raul Jiménez. Somam-se ainda a contratação
de Franco Cervi e Óscar Benítez entre outras menos dispendiosas. No final da
época conquista-se o inédito Tetracampeonato.
A época atual pode-se considerar em
teoria a única em que o novo paradigma foi de facto posto em prática. O maior
investimento foi em Krovinovic por 3M de euros, que se juntou a uma série de
contratações de baixo custo sem a perspetiva de rendimento desportivo imediato.
O outro reforço para o grupo dos titulares é o Suíço Seferovic que chega a “custo
zero”. Em termos de reforços o plantel completa-se com os empréstimos de
Douglas e Gabriel Barbosa. Da formação a aposta recai em Bruno Varela, Rúben
Dias, João Carvalho e Diogo Gonçalves. Pedro Pereira “recuperado” em janeiro
não entra nas contas para o plantel principal.
Opção consciente ou manobra de diversão?
Muito sinceramente penso que o
chavão “novo paradigma” não foi mais do que uma estratégia para amenizar o
efeito da saída de Jorge Jesus. Os grandes investimentos não deixaram de ser
efetuados, bem pelo contrário, bateram-se recordes com as transferências de Rafa e
Raúl Jiménez.
Quanto às apostas na formação
pareceram quase todas elas mais fruto de situações circunstanciais do que fruto
de uma aposta planeada. Dito isto não retiro qualquer mérito ao treinador ao
aos atletas em causa. Um teve a coragem de apostar neles e os outros tiveram o
mérito de não desperdiçar essa aposta.
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| João Carvalho espreita oportunidade |
O que eu penso?
Se me chateia que não se leve à
letra o novo paradigma? Nada! A gestão desportiva depende do imediato, das
circunstâncias. O longo prazo é uma treta.
Tens necessidade/oportunidade de
contratar um jogador caro, daqueles que se tornam baratos? Há disponibilidade
financeira, invista-se. Caros são as dezenas de “baratos” que nunca chegam a
render desportivamente.
Há um puto novo que tem qualidade
para pegar de estaca? Força, nem que tenha 16 anos.
Não podemos é deixar de investir
só porque sim, nem forçar a integração de jovens da formação apenas pelo mesmo
motivo.
Não me parece que após as vendas efetuadas o futuro do clube ficasse em risco se se tem investido em dois reforços a sério para as posições carenciadas. Eu quero é ganhar, o Benfica é o que é porque sempre ganhou.
#naomefodas mode on
- Não me venham cá com tretas de “novo paradigma”, isso só serviu para mandar areia para os olhos dos adeptos.
- É muito bonitinho ter as continhas todas em ordem e pagar os jurinhos todos na hora, mas essa mrd não vale de nada se não temos um crl de um central de jeito. Há que investir. Quando acabar o graveto transformam-se as dívidas em VMOC´s por 100 anos, como os outros crls.
- Quanto custava um central a sério? Quanto custará uma possível ausência da liga dos campeões? Fds, é fazer as contas, como dizia o outro.
#naomefodas mode off
Abraço



Excelente texto Bragatti. Deixo só umas questões... porquê tanta pressa em pagar as dividas? só agora é que se lembraram? E QUEM É QUE CRIOU ESTA DIVIDA? ONDE ANDA O MILAGRE FINANCEIRO?
ResponderEliminaré aqui que não bate a bota com a perdigota porque durante anos a propaganda espalhou a ideia do milagre financeiro e da pujança das nossas finanças e agora temos que contrair as despesas? mas nos ultimos 2 anos rebentamos 22 milhoes + 16 milhoes por 2 jogadores de banco e nessa altura não sabiam das dificuldades? navegação à vista só pode
ass: comedycentral
A criação da dívida eu entendo perfeitamente. Não há investimento sem criação de dívida.
EliminarO património existente teve que gerar dívida.
Já quanto à necessidade de criação de algum património tenho as minhas dúvidas. Dou como exemplo um possível estabelecimento de ensino no Seixal ou a necessidade de um alargamento tão grande do Campus como estão a fazer. Ou até, podendo ser polémico, a dimensão/luxo do Museu Cosme Damião.
O timing do desinvestimento e liquidação de dívida, pelo menos de forma tão radical é que me parece desajustado.
Abraço
Devias ligar mais vezes o nãomefodas, porque o problema está precisamente aí. Este modelo de gestão é insustentável. Já o disse noutro blog e repito-o aqui: o Benfica precisa, urgentemente, de reestruturar a dívida mas isso seria assumir a falência do "powered by Benfica", expressão que nos dias de hoje é de um ridículo sem fim...
ResponderEliminarBem me apeteceu um post todo em naomefodas mode no sábado :)
EliminarNão pode ser. Há pessoal que nem divulga o meu blog por causa do nome :((
Abraço
Forçaaaaaaaaaaaaaaa Benficaaaaaaaaaaaaaaa
ResponderEliminarForçaaaaaaaaaaaaaaaaa Campeõesss
Forçaaaaaaaa Benficaaaa
É isso mesmo!
EliminarPra cima deles, crl!!!
Abraço