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| É este ar sereno e confiante que queremos sempre |
O momento atual do Benfica justifica
uma paragem para refletir no que tem sido o caminho percorrido desde a
conquista do Tetra Campeonato. No desporto em geral e no futebol em particular
é muito ténue a linha que separa o sucesso do fracasso. Pela fragilidade dessa
linha e pela existência de todo um conjunto de variáveis mais ou menos
incontroláveis, torna-se arriscado, e por muitas vezes injusto, avaliar os
resultados apenas como consequência das opções tomadas.
Tal não invalida, bem pelo
contrário, que não devamos procurar analisar todas as opções tomadas e as suas
consequências no atingir do objetivo proposto. Por isso numa série de artigos
vou abordar um conjunto de áreas, tentando perceber as ideias por trás das
decisões tomadas e procurando encontrar novos caminhos e soluções:
- O Novo paradigma
- A Prospeção
- A Formação
- O Plantel
- A Equipa técnica
- A Santa aliança
- A Comunicação
- Os Sócios/adeptos
A Equipa técnica
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| Rui Vitória entre a elite mundial |
Rui Vitória foi o homem escolhido
pelo Benfica para dar corpo à ideia do Novo Paradigma. O treinador chega ao
Benfica após uma carreira sempre em sentido ascendente, que começou no
Vilafranquense em 2002/03 e passou pelos juniores do Benfica, Fátima, Paços Ferreira
e Vitória de Guimarães.
Foi precisamente num Guimarães em
processo de desinvestimento que Rui Vitória apresentou os atributos que o
colocaram na mira do presidente do Benfica, muito pela forma como foi lançando
jovens jogadores da equipa B ao mesmo tempo que apresentava um futebol de qualidade
e atingia os objetivos do clube. Muitos desses jovens acabaram por dar o salto
para clubes de maiores dimensões. Estes factos fizeram dele um alvo apetecido.
Rui Vitória chega ao Benfica para
substituir Jorge Jesus que vinha de dois anos de sucesso, o que representaria
sempre uma herança pesada. Pesada porque vem substituir o treinador Bicampeão e
também porque o clube se encontrava dividido pela decisão de abdicar de Jorge
Jesus. O peso assume proporções épicas quando Jesus opta por dar continuidade à
sua carreira no outro lado da segunda circular.
Início traumatizante
Acaba por ser traumático o início
de carreira de Rui Vitória na Luz. O perfil menos carismático quando comparado
com o anterior treinador deixa os adeptos desconfiados. A derrota na Supertaça
e o mau início de campeonato culminado com a derrota por três golos em casa,
frente ao velho rival, deixam o clube perto de um ataque de nervos. Esperava-se
o descalabro.
Só que nesse jogo aconteceu
história, e não foi pelo resultado. Ao minuto 70, o inesquecível minuto 70, o
estádio em uníssono começa a entoar o “Eu amo o Benfica!” de forma prolongada e
arrepiante. Este momento, aliado à soberba apresentada do outro lado da
estrada, transporta o Benfica para um nível superior. Rui Vitória ganha confiança,
os jogadores e adeptos colocam-se do lado dele e entra-se numa espiral de
vitórias que levam o Benfica ao Tricampeonato. Estava finalmente ultrapassado o
trauma causado pela transição de treinadores.
Do inédito Tetracampeonato ao regresso da desconfiança
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| A equipa técnica aquando da última renovação |
Na fase inicial da temporada
atual, fruto da volatilidade dos humores no mundo do futebol, voltou a
desconfiança. Um empate e uma derrota na Liga NOS, uma derrota na Liga dos
Campeões e um empate caseiro na Taça CTT fizeram soar os alarmes. A preocupação
é acentuada pelo facto dos maus resultados surgirem associados a fracas exibições.
A vitória e a exibição mais colorida no último jogo parecem ter desanuviado um
pouco o ambiente. Que tenham continuidade.
A equipa técnica completa:
Treinador: Rui Vitória.
Adjuntos: Arnaldo Teixeira,
Sérgio Botelho, Minervino Pietra e Marco Pedroso.
Preparador físico: Paulo Mourão.
Treinador de guarda redes: Luís
Esteves.
Rui Vitória faz-se acompanhar há
vários anos por Arnaldo Teixeira e Sérgio Botelho. Trabalhou com Paulo Mourão e
Luís Esteves em Guimarães, sendo que este último apenas ingressou no Benfica na
última temporada. Pietra e Marco Pedroso transitaram da equipa técnica de Jorge
Jesus. A composição da equipa técnica demonstra o cuidado do treinador em trabalhar
com homens da sua confiança.
O que eu penso?
Rui Vitória é um bom treinador. Apresenta
atributos como competência, inteligência, seriedade e capacidade de foco.
Carece de algum “carisma”, aquela capacidade de agitar as águas com apenas uma
palavra, de mobilizar as massas com um único gesto.
Tem apresentado uma capacidade de
gerir o balneário que merece realce. Neste aspeto penso que tem aproveitado
muito bem a “gasolina” que os adversários vão metendo no Ferrari. A célebre
afirmação de que ele “nem treinador era” terá sido o momento em que conseguiu
ganhar definitivamente o grupo de trabalho.
Parece-me um treinador que se
sente melhor em períodos de escassez do que de abundância. Tem sido nos momentos
em que o plantel está mais debilitado que tem demonstrado a capacidade de
encontrar soluções. Nos raros momentos em que dispõe de quase todas as soluções
aparenta alguma desorientação.
Quase todas as apostas nos jovens
da formação têm resultado das constantes lesões no plantel. Tal não lhe retira
o mérito já que muitos outros preferem a adaptação doutros jogadores mais
experientes ao risco de colocarem os jovens em campo. Tem também tido o mérito
de manter os jovens quando estes dão conta do recado.
Este ano tem demonstrado alguma
instabilidade no contacto com a imprensa, perdendo alguma da assertividade que
tão bem o caracteriza. Tem entrado em algumas querelas evitáveis com os
jornalistas, embora alguns de facto o mereçam.
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| Rui vitória e o homem que abasteceu o Ferrari |
Há também algumas afirmações que
um Rui Vitória mais tranquilo não faria. Falo por exemplo da defesa pública do
Filipe Augusto com a referência a dados estatísticos. Só colocou mais pressão
no jogador e os olhos de toda a gente em cima do seu desempenho. Era tão fácil
usar a típica expressão de que não individualizava a análise.
Outro exemplo é a
frase dita no final do jogo com o Braga: “Que o jogo de sábado venha rápido”. Demonstra
e amplia uma ansiedade que se quer afastada da equipa. Podia usar algo do tipo:
“Temos já um jogo no próximo sábado que é preciso preparar com competência e
serenidade”.
Desejo, desejamos todos, que a
equipa entre num ciclo de vitórias para que regresse a confiança a toda a
envolvente do clube. Massa adepta, dirigentes, treinadores e jogadores.
#naomefodas mode on
- Nós podemos criticar os nossos, ponto. Já quando os "outros" atacam os nossos, então tamujuntos na briga, crl!
- Há que serenar Rui! Vai lá reler a Arte da Guerra, tá lá tudo, como tu bem sabes.
- Se o pessoal que paga as continhas tem que ser racional, tu aí no meio tens que nos dar voz a nós, que não queremos saber de contas pra nada. Pede craques, crl! Quem não chora não mama.
- Fds, ó Judas, manda lá aí umas boquitas. O Ferrari precisa de gota.
- Ah, ia-me esquecendo… aperta com o preparador físico, já tou farto de tanta lesão.
#naomefodas mode off
Abraço




Boa análise, concordo em absoluto. Desde logo porque, como referes, temos que contextualizar a vinda de RV à luz do "novo paradigma" que, a julgar pela presente época, veio mesmo para ficar. Sublinho, no entanto, que o novo paradigma não consistirá, apenas, na aposta na formação mas num desinvestimento (real) em novas contratações...
ResponderEliminarCompreendo aqueles que apontem a RV o "pouco futebol" praticado em algumas ocasiões. Eu próprio fico algo apreensivo quando vejo que a opção por inverter resultados desfavoráveis consiste em tirar defesas e meter avançados (tão "old school"...), que pode ser traduzida como a falência da ideia de jogo que se tentou implementar.
Todavia, é da mais elementar justiça que se reconheça que RV nunca teve (e, provavelmente, não terá) os meios que foram colocados à disposição do anterior treinador (cujo nome já não me recordo...).
RV nunca teve um D. Luiz, um Garay, um Coentrão, um Matic, um Witsel, um Enzo, um Ramires ou um Di Maria. Para ter um Garay teve que ir à formação (Lindelof), para ter um Coentrão teve que ir à formação do Barça buscar um lesionado crónico, para ter um Matic teve que ficar com um lesionado crónico que já estava no plantel (Fejsa), para ter um Witsel ou um Enzo teve que ir à formação (R Sanches), para ter um Ramires teve que ficar com um lesionado crónico que já estava no plantel (Salvio), para ter a explosão de um Di Maria teve que ir à formação (Guedes) e por aí fora...
Nada disto invalidade que, mesmo com o decréscimo de qualidade do plantel, não tenhamos que fazer muito mais contra os Portimonenses desta liga!
Abraço!
Nada a acrescentar.
EliminarAbraço
RV precisa de agitar as águas e, a meu ver, encostar alguns jogadores.
ResponderEliminarNão se percebe o sub-rendimento de alguns atletas e, como a máxima no futebol é "não tendes, sais", é isso mesmo que precisa de fazer.
Sangue novo, mais garra, maior ambição para novas conquistas e lutar por cada milímetro do campo, é que vai fazer a diferença.
RV olhe para os seus jogadores e decida. No passado, soube-o fazer. Por isso, ainda acredito nele.
Se se revelar incapaz... bom, é assunto para outras conversas, noutro momento. Para já, a procissão ainda vai no adro.
E vamos esperar para ver, qual dos dois rivais, cairá primeiro...
Há de facto muitos jogadores importantes em sub-rendimento.
EliminarÉ por a jogar os que dão mais garantias no momento e esperar que se encadeie uma série de vitórias que recoloquem a equipa no rumo certo.
Abraço