segunda-feira, 25 de setembro de 2017


A reflexão que se impõe – A Equipa técnica

Benfica Futebol Rui Vitória
É este ar sereno e confiante que  queremos sempre
O momento atual do Benfica justifica uma paragem para refletir no que tem sido o caminho percorrido desde a conquista do Tetra Campeonato. No desporto em geral e no futebol em particular é muito ténue a linha que separa o sucesso do fracasso. Pela fragilidade dessa linha e pela existência de todo um conjunto de variáveis mais ou menos incontroláveis, torna-se arriscado, e por muitas vezes injusto, avaliar os resultados apenas como consequência das opções tomadas.
Tal não invalida, bem pelo contrário, que não devamos procurar analisar todas as opções tomadas e as suas consequências no atingir do objetivo proposto. Por isso numa série de artigos vou abordar um conjunto de áreas, tentando perceber as ideias por trás das decisões tomadas e procurando encontrar novos caminhos e soluções:

A Equipa técnica

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Rui Vitória entre a elite mundial
Rui Vitória foi o homem escolhido pelo Benfica para dar corpo à ideia do Novo Paradigma. O treinador chega ao Benfica após uma carreira sempre em sentido ascendente, que começou no Vilafranquense em 2002/03 e passou pelos juniores do Benfica, Fátima, Paços Ferreira e Vitória de Guimarães.
Foi precisamente num Guimarães em processo de desinvestimento que Rui Vitória apresentou os atributos que o colocaram na mira do presidente do Benfica, muito pela forma como foi lançando jovens jogadores da equipa B ao mesmo tempo que apresentava um futebol de qualidade e atingia os objetivos do clube. Muitos desses jovens acabaram por dar o salto para clubes de maiores dimensões. Estes factos fizeram dele um alvo apetecido.
Rui Vitória chega ao Benfica para substituir Jorge Jesus que vinha de dois anos de sucesso, o que representaria sempre uma herança pesada. Pesada porque vem substituir o treinador Bicampeão e também porque o clube se encontrava dividido pela decisão de abdicar de Jorge Jesus. O peso assume proporções épicas quando Jesus opta por dar continuidade à sua carreira no outro lado da segunda circular.

Início traumatizante

Acaba por ser traumático o início de carreira de Rui Vitória na Luz. O perfil menos carismático quando comparado com o anterior treinador deixa os adeptos desconfiados. A derrota na Supertaça e o mau início de campeonato culminado com a derrota por três golos em casa, frente ao velho rival, deixam o clube perto de um ataque de nervos. Esperava-se o descalabro.
Só que nesse jogo aconteceu história, e não foi pelo resultado. Ao minuto 70, o inesquecível minuto 70, o estádio em uníssono começa a entoar o “Eu amo o Benfica!” de forma prolongada e arrepiante. Este momento, aliado à soberba apresentada do outro lado da estrada, transporta o Benfica para um nível superior. Rui Vitória ganha confiança, os jogadores e adeptos colocam-se do lado dele e entra-se numa espiral de vitórias que levam o Benfica ao Tricampeonato. Estava finalmente ultrapassado o trauma causado pela transição de treinadores.

Do inédito Tetracampeonato ao regresso da desconfiança

Benfica Futebol Equipa Técnica
A equipa técnica aquando da última renovação
A época 2016/17 é a confirmação de um Rui Vitória sereno, confiante e focado nos objetivos a atingir. Deu sequência à aposta nos jovens iniciada na época anterior; com Ederson, Nelson Semedo, Lindelof e Gonçalo Guedes a fazerem parte do onze base. Apesar da juventude, Rui Vitória conseguiu conduzir a equipa à conquista de três das quatro competições nacionais.
Na fase inicial da temporada atual, fruto da volatilidade dos humores no mundo do futebol, voltou a desconfiança. Um empate e uma derrota na Liga NOS, uma derrota na Liga dos Campeões e um empate caseiro na Taça CTT fizeram soar os alarmes. A preocupação é acentuada pelo facto dos maus resultados surgirem associados a fracas exibições. A vitória e a exibição mais colorida no último jogo parecem ter desanuviado um pouco o ambiente. Que tenham continuidade.
A equipa técnica completa:
Treinador: Rui Vitória.
Adjuntos: Arnaldo Teixeira, Sérgio Botelho, Minervino Pietra e Marco Pedroso.
Preparador físico: Paulo Mourão.
Treinador de guarda redes: Luís Esteves.
Rui Vitória faz-se acompanhar há vários anos por Arnaldo Teixeira e Sérgio Botelho. Trabalhou com Paulo Mourão e Luís Esteves em Guimarães, sendo que este último apenas ingressou no Benfica na última temporada. Pietra e Marco Pedroso transitaram da equipa técnica de Jorge Jesus. A composição da equipa técnica demonstra o cuidado do treinador em trabalhar com homens da sua confiança.

O que eu penso?

Rui Vitória é um bom treinador. Apresenta atributos como competência, inteligência, seriedade e capacidade de foco. Carece de algum “carisma”, aquela capacidade de agitar as águas com apenas uma palavra, de mobilizar as massas com um único gesto.
Tem apresentado uma capacidade de gerir o balneário que merece realce. Neste aspeto penso que tem aproveitado muito bem a “gasolina” que os adversários vão metendo no Ferrari. A célebre afirmação de que ele “nem treinador era” terá sido o momento em que conseguiu ganhar definitivamente o grupo de trabalho.
Parece-me um treinador que se sente melhor em períodos de escassez do que de abundância. Tem sido nos momentos em que o plantel está mais debilitado que tem demonstrado a capacidade de encontrar soluções. Nos raros momentos em que dispõe de quase todas as soluções aparenta alguma desorientação.
Quase todas as apostas nos jovens da formação têm resultado das constantes lesões no plantel. Tal não lhe retira o mérito já que muitos outros preferem a adaptação doutros jogadores mais experientes ao risco de colocarem os jovens em campo. Tem também tido o mérito de manter os jovens quando estes dão conta do recado.
Este ano tem demonstrado alguma instabilidade no contacto com a imprensa, perdendo alguma da assertividade que tão bem o caracteriza. Tem entrado em algumas querelas evitáveis com os jornalistas, embora alguns de facto o mereçam.
Benfica Futebol Rui Vitória Jorge Jesus
Rui vitória e o homem que abasteceu o Ferrari
Há também algumas afirmações que um Rui Vitória mais tranquilo não faria. Falo por exemplo da defesa pública do Filipe Augusto com a referência a dados estatísticos. Só colocou mais pressão no jogador e os olhos de toda a gente em cima do seu desempenho. Era tão fácil usar a típica expressão de que não individualizava a análise.
Outro exemplo é a frase dita no final do jogo com o Braga: “Que o jogo de sábado venha rápido”. Demonstra e amplia uma ansiedade que se quer afastada da equipa. Podia usar algo do tipo: “Temos já um jogo no próximo sábado que é preciso preparar com competência e serenidade”.
Desejo, desejamos todos, que a equipa entre num ciclo de vitórias para que regresse a confiança a toda a envolvente do clube. Massa adepta, dirigentes, treinadores e jogadores.

#naomefodas mode on
  • Nós podemos criticar os nossos, ponto. Já quando os "outros" atacam os nossos, então tamujuntos na briga, crl!
  • Há que serenar Rui! Vai lá reler a Arte da Guerra, tá lá tudo, como tu bem sabes.
  • Se o pessoal que paga as continhas tem que ser racional, tu aí no meio tens que nos dar voz a nós, que não queremos saber de contas pra nada. Pede craques, crl! Quem não chora não mama.
  • Fds, ó Judas, manda lá aí umas boquitas. O Ferrari precisa de gota.
  • Ah, ia-me esquecendo… aperta com o preparador físico, já tou farto de tanta lesão.  
#naomefodas mode off

Abraço


4 comentários:

  1. Boa análise, concordo em absoluto. Desde logo porque, como referes, temos que contextualizar a vinda de RV à luz do "novo paradigma" que, a julgar pela presente época, veio mesmo para ficar. Sublinho, no entanto, que o novo paradigma não consistirá, apenas, na aposta na formação mas num desinvestimento (real) em novas contratações...
    Compreendo aqueles que apontem a RV o "pouco futebol" praticado em algumas ocasiões. Eu próprio fico algo apreensivo quando vejo que a opção por inverter resultados desfavoráveis consiste em tirar defesas e meter avançados (tão "old school"...), que pode ser traduzida como a falência da ideia de jogo que se tentou implementar.
    Todavia, é da mais elementar justiça que se reconheça que RV nunca teve (e, provavelmente, não terá) os meios que foram colocados à disposição do anterior treinador (cujo nome já não me recordo...).
    RV nunca teve um D. Luiz, um Garay, um Coentrão, um Matic, um Witsel, um Enzo, um Ramires ou um Di Maria. Para ter um Garay teve que ir à formação (Lindelof), para ter um Coentrão teve que ir à formação do Barça buscar um lesionado crónico, para ter um Matic teve que ficar com um lesionado crónico que já estava no plantel (Fejsa), para ter um Witsel ou um Enzo teve que ir à formação (R Sanches), para ter um Ramires teve que ficar com um lesionado crónico que já estava no plantel (Salvio), para ter a explosão de um Di Maria teve que ir à formação (Guedes) e por aí fora...
    Nada disto invalidade que, mesmo com o decréscimo de qualidade do plantel, não tenhamos que fazer muito mais contra os Portimonenses desta liga!
    Abraço!

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  2. RV precisa de agitar as águas e, a meu ver, encostar alguns jogadores.
    Não se percebe o sub-rendimento de alguns atletas e, como a máxima no futebol é "não tendes, sais", é isso mesmo que precisa de fazer.
    Sangue novo, mais garra, maior ambição para novas conquistas e lutar por cada milímetro do campo, é que vai fazer a diferença.
    RV olhe para os seus jogadores e decida. No passado, soube-o fazer. Por isso, ainda acredito nele.
    Se se revelar incapaz... bom, é assunto para outras conversas, noutro momento. Para já, a procissão ainda vai no adro.
    E vamos esperar para ver, qual dos dois rivais, cairá primeiro...

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    Respostas
    1. Há de facto muitos jogadores importantes em sub-rendimento.
      É por a jogar os que dão mais garantias no momento e esperar que se encadeie uma série de vitórias que recoloquem a equipa no rumo certo.
      Abraço

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