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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A reflexão que se impõe – A Formação

Benfica campeões europeus sub-17
Homenagem aos Campeões Europeus sub-17
O momento atual do Benfica justifica uma paragem para refletir no que tem sido o caminho percorrido desde a conquista do Tetra Campeonato. No desporto em geral e no futebol em particular é muito ténue a linha que separa o sucesso do fracasso. Pela fragilidade dessa linha e pela existência de todo um conjunto de variáveis mais ou menos incontroláveis, torna-se arriscado, e por muitas vezes injusto, avaliar os resultados apenas como consequência das opções tomadas.
Tal não invalida, bem pelo contrário, que não devamos procurar analisar todas as opções tomadas e as suas consequências no atingir do objetivo proposto. Por isso numa série de artigos vou abordar um conjunto de áreas, tentando perceber as ideias por trás das decisões tomadas e procurando encontrar novos caminhos e soluções:

A Formação

A história recente da formação do Benfica está umbilicalmente ligada ao Caixa Futebol Campus no Seixal. Após um período conturbado em que as equipas andavam com a casa às costas, o aparecimento do CFC permitiu finalmente que se fizesse um trabalho com cabeça, tronco e membros no que à formação diz respeito.
Inaugurado em 22 de setembro de 2006, o CFC faz esta semana onze anos. Uma década de existência já permite uma avaliação do trabalho que ali tem sido efetuado, dos frutos que tem dado e das oportunidades de melhoria que nunca se devem descurar num ciclo de qualidade.
Falamos do Seixal, mas a formação do Benfica inicia-se nas instalações dos Pupilos do Exército onde desenvolvem a sua atividade as equipas dos escalões de iniciação, que vão até aos Infantis. Só a partir dos escalões de formação, que começam nos Iniciados, é que a atividade passa para o CFC.

Os frutos

Ao fim de onze anos já saíram do CFC várias gerações de atletas, sem grande destaque para as primeiras, embora se encontrem na Liga NOS e em vários campeonatos secundários da Europa vários jogadores saídos dessas gerações.
É nos últimos dois/três anos que começam a surgir aqueles jogadores que têm praticamente toda a sua formação no Seixal, atletas que rondam uma década de formação no Benfica. Os jogadores saídos nestes últimos anos começam a povoar os grandes palcos europeus em clubes de primeira linha.
Alguns destes jogadores contribuíram para o Tetracampeonato ao serviço do Benfica, outros tantos infelizmente deram apenas retorno financeiro.

Lideranças

Benfica formação Nuno Gomes
Nuno Gomes deixa o cargo de diretor geral
Nuno Gomes assumiu o cargo de diretor geral do Caixa Futebol Campus em 2014 tendo-se mantido em funções até há bem pouco tempo. Muito se tem especulado sobre os motivos da saída de Nuno Gomes do cargo e da possibilidade de Pedro Mil-Homens, homem forte da Academia do Sporting em Alcochete até 2013, ser o seu sucessor.
O quadro de treinadores dos escalões do Benfica apresenta uma estabilidade muito grande sendo raras as alterações no comando técnico das equipas. Nas equipas que competem nos campeonatos nacionais a última alteração já se deu em 2012/13 com João Tralhão a assumir o comando técnico da equipa de Juniores.

Resultados desportivos

Não sendo a conquista de títulos o mais importante, não deixa de ser uma questão de orgulho o enriquecer do currículo do clube e das montras do Museu Cosme Damião com os campeonatos conquistados.
Na vigência do CFC conquistaram-se os seguintes campeonatos:
  • Juniores A: 2012/13
  • Juniores B: 2007/2008, 2010/11, 2012/13 e 2014/15
  • Juniores C: 2008/09, 2009/10, 2011/12, 2013/14, 2015/16 e 2016/17
O número de títulos não se pode considerar impressionante. Para esse facto muito contribui a opção do Benfica de privilegiar o desenvolvimento do jogador proporcionando-lhe outros estímulos ao jogar em escalões superiores, em detrimento da conquista de campeonatos. Esse facto nota-se principalmente nos escalões mais velhos. Nos iniciados, onde por norma não se aplica essa política, o Benfica já domina o panorama nacional.

As grandes promessas

São vários os jogadores a quem se perspetiva um futuro risonho no mundo do futebol. Com a margem de erro resultante da idade precoce dos atletas e de todas as variáveis com que são confrontados ao longo do processo de formação, arriscaria os seguintes nomes como hipóteses para um dia representarem a equipa principal:
Ferro, Florentino Luís, Gedson Fernandes, Guga, João Félix, João Filipe, Nuno Santos, José Gomes, Pedro Álvaro, Tiago Dantas, Diogo Pinto, Úmaro Embaló, Kévin Csoboth, João Monteiro, João Ferreira, Alexandre Penetra, Francisco Saldanha, Nuno Cunha, Ronaldo Camará, Tiago Araújo e Jair Tavares.
Estes nomes representam as equipas: B, juniores A e juniores B. Existe ainda uma boa dezena de nomes que pode atingir também o patamar da equipa principal. Nos escalões de formação é normal um jogador “explodir” de um ano para o outro. Temos o exemplo de Bernardo Silva que apenas nos juniores se tornou titular absoluto. Nos escalões mais baixos existe também muita matéria prima que pode ser trabalhada para atingir o topo da pirâmide.

O que eu penso?

Penso claramente que a formação do Benfica está entre as melhores a nível mundial. Sem dúvida que as condições existentes no CFC permitem um trabalho de excelência a todos os atletas e aos profissionais envolvidos no processo de formação. Sem conhecer em pormenor o projeto de ampliação do centro de estágio, pelos números que são públicos talvez haja algum exagero. Não podemos deixar de ter em conta os elevados custos de manutenção deste tipo de infraestruturas. Será que está bem avaliada a relação custo/benefício? Esperemos que sim.
Benfica Caixa Futebol Campus
Os primeiros tempos do Caixa Futebol Campus
Dos treinadores das equipas que participam nos campeonatos nacionais destaco Luís Nascimento. Mais pela evolução revelada pelas suas equipas do que pelos títulos conquistados. É certo que é o escalão onde o desenvolvimento, mesmo físico, é mais notado, mas ver um jogo no principio da época e outro da fase final é revelador.
Renato Paiva tem dado continuidade a esse trabalho de desenvolvimento. Parece-me, podendo estar a ser injusto, que revela alguma dificuldade em controlar o estado de espírito do grupo de trabalho nos momentos de decisão.
João Tralhão é aquele que terá mais dificuldades em desenvolver um bom trabalho dada a instabilidade do grupo que tem ao seu dispor. A alteração que a equipa sofre para os jogos da UEFA Youth League torna muito complicada a gestão do grupo de trabalho.
O lema formar a ganhar deve ser levado à letra. Se concordo com a subida de escalão de alguns atletas para lhes dar outro tipo de estímulos, penso que nas fases finais, dentro do possível, os melhores devem estar nos seus escalões. As fases finais já são muito competitivas e é sempre um aliciante para um jogador estar a disputar um título de campeão nacional.
Há duas ideias que gostava de ver implementadas no Benfica:
- Um protocolo com um clube da zona onde possa colocar as equipas B dos vários escalões. Dessa forma os atletas de primeiro ano poderiam disputar o campeonato nacional. Nem que seja preciso criar um clube apenas para esse efeito.
- Emprestar até janeiro os guarda-redes e defesas mais promissores a clubes da zona com provas dadas na formação. Na primeira fase dos campeonatos estes atletas limitam-se a recolher passes e circular a bola o que lhes limita a evolução. Assim regressariam em janeiro ao Benfica já com outro andamento.

#naomefodas mode on
  • Cuidado com os excessos expansionistas. De elefantes brancos está o mundo cheio.
  • Não me digam que entre seis milhões não há um crl de um Benfiquista com competência para dirigir o CFC!
  • Fds, eu quero ganhar e os putos também querem títulos. Não se esqueçam que são este tipo de vitórias que têm dado ânimo aos rivais em tempos de seca. É arrasar com eles nas fases finais.
  • Se volta a sair outro craque do seixal sem jogar na equipa principal pego na caçadeira e vai tudo a eito.
  • Canalhada, agora não me deixem ficar mal. Há que trabalhar como deve ser até chegar ao topo. Bora lá!
#naomefodas mode off

Abraço


Esta semana: